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Cgil 1

Cortesia do Carlos Gil

O Liceu António Enes de Lourenço Marques (LAE) foi um Liceu Português sediado na capital da então Provincia Portuguesa de Moçambique. Funcionou até à data da independência deste território em 25 de Junho de 1975, data em que se considera ter sido extinto. No entanto, o LAE perdura como Instituição Escolar do ensino secundário Português, com o seu nome original [...]

As primeiras instalações do Liceu António Enes foram em frente ao Jardim 28 de Maio na Av 24 de Julho, esquina com a Av João de Deus, ao lado do Edifício Aga Khan, num andar alugado ao Clube 1º de Maio.

Não se sabe ao certo em que data foi fundado o LAE mas no ano lectivo 1955/56 já funcionava nessas instalações e era designado por 3ª secção do Liceu Salazar. No ano lectivo de 1961/62 o LAE transferiu-se para as suas instalações definitivas — o novo edifício na Av Paiva de Andrada [n.º 68. Foi] inaugurado pelo Governador Geral, Almirante Sarmento Rodrigues, em data incerta mas que se supõe ter sido entre 1961 e 1963. [1]

Testemunho do Prof. João Boaventura Editar

Filomena Aérea

Cortesia da Filomena Rodrigues

...Relativamente à história do Liceu, abro o alçapão da memória e o que me ocorre para já, quando se iniciou a construção do Liceu, foi a minha corrida ao departamento que tinha a responsabilidade de acompanhar as obras, para solicitar a consulta ao projecto.

O arquitecto Mesquita levantou muitas dificuldades argumentando que o projecto tinha vindo de Lisboa, que se destinava a um Liceu de Lisboa e, porque não concretizada a sua construção, entendeu o Ministério do Ultramar aproveitá-lo, endossando-o para Lourenço Marques. O meu propósito era o de indagar se as questões técnicas do Ginásio e dos Campos de Jogos estariam correctas, nunca as de índole arquitectónica. Mesmo assim mostrou-se renitente. Ainda insisti mais duas vezes, sem qualquer resultado.

Entretanto tinha chegado a Lourenço Marques o General Craveiro Lopes (exonerado por Salazar da Presidência da República, por discordâncias políticas), em visita ao filho Arquitecto Craveiro Lopes ali residente.

Eu tinha conhecido o General por intermédio do Coronel Mário Cunha, de quem era amigo íntimo, pelo que me dirigi ao Hotel Polana, onde se instalara, a fazer as minhas solicitações no sentido de me ser franqueado o acesso ao projecto por seu intermédio. A resposta que me deu foi.- "Enquanto fui Presidente da República nunca tive o que quis". O que me animou a persistir com o Arquitecto Mesquita ao qual mostrei obras sobre construções de ginásios e campos de jogos. Aí quebrou a distância e tornámo-nos amigos.

Relativamente ao ginásio o piso de tábuas colocadas ao longo do ginásio e que eu tanto insisti que fossem colocadas no sentido da largura não foi possível, porque já a obra ia avançada. A racionalidade da proposta era que as ripas colocadas no sentido da largura evitava as escorregadelas porque havia um atrito na juntura das tábuas. Na planta dos jogos que contemplava um campo de básquete, dois campos de voleibol e um rinque de hóquei em patins, propus que fosse eliminado o rinque por duas razões. Só tinha dez alunos a jogar e, nem o Liceu, nem os alunos tinham orçamento para comprar equipamentos, pela sua carestia. Aí concordou e adaptou o rinque para duas modalidades voleibol (12 jogadores) e andebol (7 jogadores), mas já não teve tempo de alterar o piso de cimento para o alcatrão; e um dos campos de voleibol (a sul) foi transformado em campo de andebol. O de voleibol à entrada pela porta das traseiras manteve-se.

Depois solicitei-lhe a construção de um percurso de obstáculos na periferia dos campo, ao longo e junto ao muro. Finalmente, conquistada a simpatia do Arquitecto Mesquita, ainda o convenci a construir dois campos de voleibol no terreno livre situado à direita do edifício para as alunas, e ainda uma sala de aulas por cima do refeitório.

Não sei como estarão hoje os campos, o percurso de obstáculos e o ginásio...

Um abraço

João Boaventura


Filomena Frente

Cortesia da Filomena Rodrigues

Estive a ler a história do Liceu António Enes e fiquei surpreso ao ler que o projecto tinha sido executado para um liceu em Portugal que não tinha sido construído.

Ora eu frequentei o Liceu Pero de Anaia na Beira que se transferiu para um novo edifício em Matacuane em 1959 (se bem me lembro).

Em 1963 fui transferido para o Liceu António Enes em Lourenço Marques e para minha surpresa este edifício tinha a mesma arquitectura do Liceu Pero de Anaia da Beira construido vários anos antes deste.

Não dará para este assunto ser investigado?

Adiciono o facto das instalações desportivas interiores do Liceu Pero de Anaia serem identicas ao do Liceu António Enes mas as exteriores eram muito melhores e maiores pois até campo de futebol e pistas de atletismo tinha.

Mário Encarnação


Sobre a história da génese do Liceu António Enes, e a propósito de Mário Encarnação testemunhar que a arquitectura é a mesma da do Liceu Pero de Anaia, limitei-me a transmitir a informação que me foi dada pelo Arq. Mesquita. Em tais circunstâncias só posso concluir que a planta, não utilizada em Portugal, afinal serviu para a construção de dois Liceus em Moçambique. E, pelos vistos, serviria, possivelmente, para sempre.

João Boaventura


[Um] documento legal para a construção do Liceu da Beira, [não tem data], a não ser a do Boletim Geral do Ultramar (1955).

Com o que pouco ou nada adianta relativamente à data do Liceu António Enes.

Quando tomei posse do lugar de professor no Liceu foi em 1958, quando funcionava ainda nas instalações do 1.º de Maio, donde tudo aponta que tenha sido o da Beira a ser construído primeiro.

Vou tentar outras fontes.

João Boaventura


Fonte: História do Liceu